Benedito era um típico funcionário público. Um metro e setenta de altura, careca, meio barrigudo e com um bigode do tipo mexicano. Também usava óculos, aqueles de fundo de garrafa. Morador de Copacabana, casado, sem filhos e com uma cadela chamada Laica. Sempre se gabava dizendo que morava em frente à praia, e era verdade, um apartamento alugado mini-quitinete.
Adorava comer pipoca, meu Deus! Acho que era proibido de comer quando era criança, todo tipo de sabores já tinha experimentado. Quando ia ao cinema era lei, comprava sempre a pipoca mais cara e um copo de refrigerante, sem contar que também chupava aqueles pirulitos de chiclete que vendiam no ponto de ônibus. Quando entrava na condução era um problema enorme, tirava aqueles vale transporte de papel, não separava, abria aquela folha enorme e picotava todos eles na hora. Uma vez ao passar pela roleta, o motorista deu uma freada tão brusca que ele foi parar quase no fim do ônibus sem o dente da frente, tinha caído! Lá vai Benedito procurar o bendito do dente da frente, e é claro sem cerimônias nenhuma, sem se importar com o que as pessoas pensavam, era bem hilário.
Um belo dia, estava um amigo dele em casa quando o telefone tocou, aquela voz era inconfundível, só poderia ser ele, quem mais seria? Benedito tinha ido ao clube jogar xadrez com os amigos, aliás, era um excelente jogador, não perdia para ninguém, jogava até de costas, realmente muito bom. Não sei por que não se profissionalizou, mas isso é outra história... Bom, ele falou com o amigo que tinha caído antes de pegar o ônibus, tropeçou em alguma coisa e acabou quebrando a clavícula. Ficou engessado até o pescoço, literalmente. Falou que nenhuma alma caridosa o tinha ajudado, foi ao hospital sozinho. Pediu ao amigo para avisar ao chefe que não iria trabalhar na segunda-feira, os dois trabalhavam na mesma seção. Para o espanto de todos, quando chegaram ao trabalho lá estava ele, sentado na sua mesa todo engessado, dizendo que não poderia faltar o trabalho, fazer o quê? Ele era assim teimoso.
Vários colegas estavam almoçando juntos, inclusive Benedito, quando senta à mesa uma colega de trabalho, muito gentil. Ele era assim, um gentleman. Começaram a conversar, quando de repente todos viram pular de seu prato uma enorme batata cozida, que foi parar no prato da colega. Sem cerimônias como sempre, apanhou a batata e colocou diretamente na boca. Não se importava com o que achavam.
Quando terminava de almoçar, ficavam sempre alguns pedaços de comida naquele enorme bigode, mas apesar de tudo isso era uma pessoa de um enorme coração.

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